Estava no aniversário da minha prima, os convidados todos na cozinha, e eis que entra a minha tia (no tom dramático de sempre) pela cozinha a dentro a gritar : "UM AVIÃO FOI CONTRA UMA TORRE NA AMÉRICA! UM AVIÃO FOI CONTRA UMA TORRE NA AMÉRICA! LIGUEM A TELEVISÃO!"
Tadita da minha prima que ficou com o seu 13º aniversário um pouco para o estragado.
Passámos a tarde toda passada em frente à televisão, a ver vezes e vezes sem conta aqueles embates, e os desmoronamentos das torres, se é que não assisti em directo ao desaparecimento da segunda torre (agora não tenho bem a certeza). Todos incrédulos, incluindo eu um rapazito de 9 anos, ali em frente à televisão num silêncio aterrador, só o som da televisão quebrava aquele silêncio que até metia medo.
Durante estes 10 anos não me dei conta do impacto que aquilo teve nas nossas vidas. É claro que soube que o atentado veio para nos marcar a vida, um virar de uma página, talvez uma mudança na sociedade dos nossos tempos e dos que virão. Mas nunca tinha pensado na perspectiva das vidas que ficaram presas no meio dos escombros, das famílias que sofreram essa perda, da batalha dos bombeiros (e não só) para salvar o maior número de pessoas possível, o desespero para se salvar e sair daquele inferno.
Mas o que mais me impressão, quer dizer impressão não é palavra adequada mas pronto, me fez foi a loucura, mais pralá de desespero das pessoas que se atiravam das torres à procura de um salvamento, de amparo lá em baixo mas que, coitadas, acabam esborrachadas no chão. Durante este tempo ouvi imensas piadas, que hoje já acho de mau gosto (apesar de gostar de uma boa piada sádica), porque sim aquilo tocou-me, fez-me e de facto mexeu mesmo comigo e inclusive veio uma lagrimita ao canto do olho , foi tarde eu sei, mas acho que com a idade que tinha na altura não dava mesmo para perceber a grandeza do acontecimento.
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